segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Felicidade

A Tal felicidade.

Acabei de ler um livro de Darrin MacMahon chamado Felicidade e percebe-se por lá, que desde o início da humanidade, a felicidade é o bem mais precioso, talvez até mesmo o fim de estarmos de passagem por este planeta.

E as buscas e interpretações são as mais variadas.

Alguns filósofos acham que é impossível o homem ser feliz.

Uns santos, outros místicos, descobrem que apenas na "iluminação", no encontro com o Altíssimo, se poderá vislumbrar um pouco de felicidade, já que totalmente é impossível, enquanto houverem pessoas infelizes no mundo, e parece que tão cedo não deixarão de existir.

Os Epicuristas, acham que devemos só pensar no prazer, no bem estar e por isso, sermos até um pouco egoístas.

Algumas religiões nos dizem que só a alcançaremos plenamente no outro mundo. Além disso, tem que haver uma certa dose de sofrimento e "infelicidade" neste mundo, para se obter créditos para o desconhecido. E parece que não somos "infelizes" o suficiente para garantir o prêmio quando trocarmos de mundos. Pelo menos não há testemunhos vivos disso.

Outros a encontram na arte. Outros no trabalho, na caridade, na renúncia, no desprendimento, no desapego...enfim, o livro tem quase 600 páginas.

Mas parece que todos concordam com uma coisa. A felicidade é sua responsabilidade. E só você tem o comando dela. Você é aquilo que pensa, já diziam os filósofos antigos.

Se queremos que o mundo mude, temos que mudar. Nosso interior é apenas o reflexo do que acreditamos. Quando nosso "ego" está no comando estamos reféns do que o sistema nos aprisiona e nos faz crer que precisamos para viver.
O paradoxo da burrice é que continuamos fazendo o que sempre fizemos e queremos resultados diferentes.

Achamos que o mundo deve agir de acôrdo com a "nossa" percepção.
Somos feitos e depois formados completamente diferentes uns dos outros. Nossos desejos, instintos, sonhos, vontades e percepções do mundo, do país, da cidade, da família, de nós mesmos, são completamente diferentes mesmo de quem está mais próximo de nós.
As coisas são tão perfeitas que num mundo de 6 bilhões de almas, não existem dois iguais.

Se não nos conhecemos, como pretendemos conhecer os outros. E pior, querer determinar o que é melhor para eles.

"Quem que eu sou e o que é que eu quero", era as duas perguntas que o velho Freud mandava fazer, cada vez que tinhamos a prepotência de querer determinar a vida dos outros.

Nosso amigos não são perfeitos, não professam nossa mesma crença, não tem os mesmos valores, não tem a mesma fé, nem gostam da mesma comida, mas mesmo assim os respeitamos, admiramos e os temos em grande conta.

Um sinal de inteligência emocional é não criticar e não julgar, aceitando os outros como são. Afinal cada um dá e faz o que pode e não o que quer.

E os filhos, o que fazemos com eles? Imbuídos da "Síndrome de Deus", queremos que eles ajam "à nossa imagem e semelhança".
Pobrezinhos. Os temos presos pelos laços afetivos e emocionais, além do DNA, mas eles não vêem a hora de voar com suas próprias asas, conhecer outros horizontes, cometer seus próprios êrros, viver "seus" desejos e não os desejos da mãe, do pai.
Além do que, vivemos numa época de transformações e mudanças tão radicais que, por mais atualizados que tentemos estar, não temos como acompanhar o que cada um percebe, sente e planeja para si.
Os tempos são outros. Oh tempus, oh mores!
Como dizia um Mestre: Os filhos de hoje são mais filhos do nosso tempo, do que dos nossos pais. Então porque querer que eles vivam como nós achamos que deve ser?

O que podemos fazer é mostrar o caminho, através de exemplos, e torcer para eles façam as escolhas certas que os conduzam à uma vida de paz.
Nossos filhos não nos ouvem muito, mas nos vêem sempre, mesmo quando não estão olhando.
O quanto temos de equilíbrio, tolerância, paciência, dignidade, honestidade, etc. não são o que dizemos, mas o que eles percebem em nós.
Se entendermos isso, parte dos conflitos estarão resolvidos.
Como diziam os Taoístas: "Na vida não existem castigos, nem recompensas, só consequências".

Segundo estudos da Universidade de Pesquisas Filosóficas dos EUA, nossas preocupações sobre nós mesmos se encaixam em oito medidas: elogio e culpa, perda e ganho, prazer e dor, e por último, fama e vergonha.
Tudo que nos faz sentir pra cima e pra baixo está nessa categoria. Isso só acontece quando agimos através do EGO.
Todas as vezes que somos egocêntricos, estaremos agindo a partir do pensamento. Não será essa a realidade, mas sim o Universo que gira em torno dessas oito medidas. Tudo será avaliado assim, se ganhamos ou perdemos, se temos prazer ou dor e assim por diante.

Se queremos ser felizes temos que sentir com o coração e não com a mente. Nossos objetivos vêm naturalmente como resposta de nosso envolvimento emocional do que fazemos.
Nossa mente é condicionada desde o nascimento (ou até antes dele) e, por segurança ou comodidade, tendemos a repetir os padrões que achamos serem corretos. É a "nossa" verdade.
Cada um tem a sua e devemos respeitar isso.

Assim como não devemos "atrelar" nossa felicidade e bem estar à coisas externas, ao "outro". Porque as coisas se deterioram, se perdem, são roubadas. O "outro" pode deixar de nos amar, ir embora, encontrar um novo amor (filhos quando se casam, por exemplo) e vamos nos sentir ameaçados, injustiçados ou desprezados, sem entender que é o ciclo natural das coisas, que se modificam.

Uma das capacidades que diferencia uma pessoa feliz da infeliz é saber lidar com as frustrações e ao invés de atacar os vínculos, ou fugir, transformá-las, buscando outros níveis de compreensão.
Também, a capacidade de aceitação das diferenças e de aceitar a chegada dos anos, sem aquele excesso de saudosismo e nostalgias, nos mostram como cada pessoa é capaz de lidar com sua felicidade.

Se organizamos nossa vida em torno dos valores supremos como tolerância, justiça, igualdade, verdade (nossa e a dos outros), amor, liberdade e paz, a felicidade virá até nós. Essa é a afinação do Universo.

Nossa maior jornada é para dentro de nós e não para o Sucesso que é uma exigência da mídia. Não temos o direito de estarmos tristes, volta e meia desanimados, sem energia. O volume de informações e o massacre de "tipos ideais" estigmatizados nos deixam em dúvida se estamos no caminho certo.

Cada um de nós é um ser único e que manifesta a beleza de Deus. Passamos um bom tempo tentando imitar ou se parecer com alguém que “deu certo” e demoramos a entender que isso é que não dá certo. A felicidade vem de dentro. Temos que perguntar ao nosso Eu Interior, o Eu superior o que precisamos fazer por nós. Para o engrandecimento de nosso espírito.

Não somos os eternos "mestres de cerimônia" do mundo, tentando resolver o problemas dos outros.
Cada um tem o livre arbítrio e por isso responsável pelas consequências de suas escolhas pessoais. Nós seremos pelas nossas sómente.

A exemplo do que dizem as aeromoças antes dos vôos...."em caso de descompressurização desta aeronave, coloquem as máscaras primeiro em vocês para depois ajudarem as crianças ou idosos ao seu lado, etc.", quer dizer. se quisermos ajudar os outros sem estarmos em condições, podemos desmaiar e todo mundo vai pro beleléu.
Sem estarmos preparados, causamos mal maior em tentar "ajudar" os outros. Quem precisa de ajuda primeiro somos nós.

O controle que queremos ter sobre os outros, devemos exercitar sòmente em nós mesmos. Essa é a chave da compreensão do mundo.

Precisamos parar de perder tempo, e buscar ser a expressão maior de viver em paz internamente e enquanto estivermos nesta vida, vivermos. E que cada um cuide sa sua.

O encontro da felicidade depende só de nós, é a triste e antiga conclusão do livro. Porque nos recusamos a acreditar nisso?
Que tal viver e deixar viver de acordo com as possibilidades e desejos de cada um?

G.Vargas

Was unsterblich im Gesang soll leben,

Was unsterblich im Gesang soll leben,
Mus im Leben untergehen
O que deve viver imortal na canção, tem de perecer na vida – Schiller.

A indignação dos textos que estou recebendo de amigos, conhecidos e até gente que nunca vi, sobre a atual situação da política brasileira e do aparelhamento do Estado, com absoluto silêncio do Judiciário, do Legislativo e das cabeças pensantes que protestaram contra a Ditadura, contra Collor e parecem satisfeitas com o encaminhamento muito possível e próximo para uma República Sindicalista,com aumento e fechamento das benesses à “Nomenklatura” no poder, coincidiu com uma releitura sobre Moisés e o Monoteísmo de Freud, talvez estimulado pela minha recente subida ao Monte Sinai, o Gebel Musa (Montanha de Moisés) dos árabes ou o Serabith El Kadim do beduíno que me guiou numa noite de lua cheia.
Talvez estimulado pela referência à Freud, feita por Lula em um vídeo que recebi recentemente.

Não tenho o poder da síntese e quando releio, mudo sempre. Pode ser longo e sem graça. Ninguém precisa ler. Até porque não sei para o que vai servir. Muitos textos, bem melhores e mais sucintos tem circulado por aqui.

Busco apoio em partes do texto de Freud e transcrevo abaixo


È boa regra no trabalho de análise, contentar-se em explicar o que realmente
está perante nós e não procurar explicar o que não aconteceu.


De qualquer maneira, talvez a atual oposição devesse pensar no que deixou de fazer nesses anos todos que esteve no poder. Deixou de entender, como o PT entendeu tão bem, na matéria prima de que é feita nosso povo.
A oposição ficou na posição defensiva dos esquizo-paranóicos que pensam: Se sou bonzinho e faço tudo certo, o mundo vai me tratar bem.


“...como é possível a um homem isolado desenvolver uma eficácia tão extraordinária para poder formar um povo...a tendência moderna é antes no sentido de fazer remontar os acontecimentos da história humana a fatores mais ocultos, gerais e impessoais, à influência irresistível das condições econômicas, a alterações em hábitos alimentares, a avanços e usos de materiais e ferramentas...os indivíduos, representantes de tendências grupais que estão fadadas a encontrar expressão, e a encontram, nesses indivíduos específicos, em grande parte, por acaso.”

Permitam-me portanto, tomar como certo que um grande homem influencia seus semelhantes por duas maneiras: por sua personalidade e pela idéia que ele apresenta. Essa idéia pode acentuar alguma antiga imagem de desejo das massas, ou apontar um novo objetivo de desejo para elas, ou lançar de algum outro modo seu encantamento sobre as mesmas. Ocasionalmente...a personalidade funciona por si só e a idéia desempenha papel bastante trivial....sabemos que na massa humana existe uma poderosa necessidade de uma autoridade que possa ser admirada, perante quem os curvemos, por quem sejamos dirigidos e, talvez, até maltratados.

E continua Freud.

... trata-se do anseio pelo pai que é sentido por todos...e que a essência
dos grandes homens, pela qual em vão buscamos, reside nessa conformidade. A
decisão de pensamento, a força de vontade, a energia da ação, fazem parte do
retrato do pai – mas, acima de tudo,a autonomia e a independência do grande
homem, sua indiferença divina que pode transformar-se em crueldade.
Tem-se
de admirá-lo, pode-se confiar nele, mas não se pode deixar de temê-lo também.

Credo quia absurdum – Creio porque é absurdo ( Atribuído a Tertuliano).

O que virá por aí depois do plebiscito que referendará Dilma/Lula e o PT/PMDB talvez já no primeiro turno? Tudo o que já está aí, deverá se aprofundar, com algumas cores prevalecendo mais que as outras dentro da briga intestina que se vislumbra entre os partidos de sustentação e dentro do próprio PT com sua colcha de retalhos ideológica, que vai desde os moderados do mensalão, passando pelos coluna do meio com cara de paisagem por não saberem para onde ir (não os critico, no cenário político de hoje, ficou tudo muito parecido, e na dúvida fica-se próximo ao poder) até os radicais de extrema esquerda que parecem personagens saídos de algum livro de Marx ou Engels, brandindo uma retórica do que não deu certo, tomados que estão pela síndrome de Gabriela (eu nasci assim, vou morrer assim...) e que quem tentou sofre para se recuperar das ideologias utópicas e impossíveis.

Riqueza mal distribuída é melhor do que pobreza muito bem distribuída, como ironizou Churchill com Stalin em Ialta.

Se auto intitular o maior presidente que o Brasil já teve parece uma antecipação narcisista do que a história irá avaliar e determinar.
Vargas também pediu ao povo para manter seu legado. Kubistchek deixou exemplos e ainda não teve sua história terminada porque recente demais para se avaliar o impacto no todo, como disse Mao Tse Tung sobre sua enorme China.

Ser o maior por determinação própria, me veio a mente o Faraó Ramsés II, que tratou de eliminar o que os outros fizeram antes dele, fazendo muita propaganda em forma de monumentos, templos e palácios, todos, óbviamente com sua esfígie, substituindo nos 3km que ligam Tebas (atual Luxor) a Karnak, todas as cabeças de carneiro, símbolo divino da época (devem ser centenas), pelas suas imagens, que estão sendo retiradas, embora um pouco tardiamente...
O mesmo Ramsés II, em guerra contra os Hititas da Ásia Menor, teria se rendido (é a versão na Turquia), mas apregoou a todos (versão Egípcia fornecida entre risos) que teria selado o primeiro “pacto de não agressão” do mundo e passou a chamar o Rei Hitita (que me escapa o nome) de irmão.
Lembra algo da nossa política recente? Sir Ney, Renan ou Khollor seriam os nomes do Rei Hitita?

Dentro das espécies, existem sub-espécies, que se reproduzem rapidamente e infestam o organismo governamental em todas as esferas.
A triangulação incestuosa dos Sindicatos que recebem dinheiro do governo, dependem dele e por isso estão calados e os fundos de pensão, podem criar uma superespécie que até quem acha que pode, terá dificuldade em desestruturar.
O próprio Berzoini, na PEC 369/05 do Fórum Nacional do Trabalho, reconhece a necessidade da ...organização sindical livre e autônoma em relação ao Estado.

A pobreza dos debates e a repetição do mesmo (inclusive da oposição) parece ter uma só direção. A continuidade da ação paternal (Freud novamente) do Estado, visando principalmente as massas votantes e pobres do Norte e Nordeste, que ainda não sabem como será feita sua forma de inscrição na sociedade. Existe algum projeto de substituição dos diversos auxílios-bolsa? Programas de qualificação, treinamento, educação, participação ativa e não passiva na comunidade?
Os marqueteiros de ambos os lados falam, via seus candidatos, no mesmo tom monocórdio e monocromático sobre os mesmo assuntos que nunca se resolvem. Segurança, Saúde e Educação. Todos caóticos.

No Nordeste, muitos municípios tem sua principal fonte de renda nas pensões dos aposentados, nos bolsas-família e agora soube de uma bolsa maternidade que é dada às gestantes, equivalente a um e meio salário mínimo e por isso muitas adolescentes estariam engravidando deliberadamente para receber tal benefício, que pode ser um “bom” dinheiro imediato nas regiões paupérrimas e de fome do sertão. O depois fica pra depois, talvez com uma bolsa-qualquer.

Boas coisas foram feitas. FHC (ou Dona Ruth Cardoso) foi o primeiro a ver que existem vários Brasis e tentou, temporariamente acho que era a idéia, ajudar emergencialmente a saciar a fome de uma população que o sul maravilha não conhece, não faz idéia do que seja e ao invés de ter pena ( no que fazem muito bem porque a pena em si não adianta nada), tem desprezo, achando que os famintos, sem água e sem acesso aos mínimos recursos de saúde e oportunidades, fizeram uma escolha pela miséria. Dêem lhes oportunidade de resgatar a dignidade e verão um povo batalhador, alegre, que pouco pede e que quer ficar na sua terra e viver a vida em paz.

O que nos referimos é o caminho que o grande homem, pai dos trabalhadores, o pai da horda (Freud) foi responsável, agindo ou se omitindo, fazendo pactos e conchavos a torto e a direito, até perder o controle do aparelhamento do Estado, com centenas de milhares de “companheiros dos companheiros” (porque Lula não pode ter tantos), sem capacidade de gestão, fazendo com que órgãos, autarquias, secretarias, ministérios, estejam povoadas de gente indicada, quase nunca por competência, pelo único e sagrado motivo de pertencer ao partido, a exemplo da Nomenklatura, de Milovan Djilas, no livro do mesmo nome.

Não quero um pai ou mãe em Brasília, mas dirigentes honestos, que pensem no povo e saibam o que fazer com os altos impostos que pago. Geralmente os Ditadores se proclamam “pais” da nação. Estamos a caminho ou já estamos dentro? (um Congresso com 70% a favor e uma oposição silenciosa/silenciada?)

Sobre isso, ao invés de escrever, faço uso (sem permissão) de parte de um texto do Psicanalista Contardo Calligaris, escrito na Folha de São Paulo em 26 de Agôsto deste ano:

O que me choca é que eleitores possam ser seduzidos pela ideia de serem
cuidados como crianças e preferi-la à de serem governados como adultos.

Se o governo for paternal ou maternal, o que o cidadão espera nunca será exigível,
mas sempre outorgado como um presente concedido por generosidade amorosa; o
vínculo entre cidadão e governo se parecerá com o tragipastelão afetivo da vida
de família: dívidas impagáveis, culpas, ciúme passional etc. Alguém gosta disso?
Tornar-se adulto (por uma psicanálise ou não) é um processo árduo e sempre
inacabado. Por isso mesmo, a quem luta para se manter adulto, qualquer
paternalismo dá calafrios -ou vontade de sair atirando...


Se o Estado é um pai ou uma mãe para mim, eu não tenho deveres, só dívidas amorosas, e, se esse Estado me desrespeita, é que ele me rejeita, que ele trai meu amor.

Por esse caminho, amado ou traído pelo Estado, nunca me considerarei como um entre outros (o que é uma condição básica da vida em sociedade), mas sempre como a menina dos olhos do poder.
Agora, se eu me sentir traído, não me contentarei em mudar
meu voto, mas procurarei vingança no corpo a corpo, quem sabe arma na mão; pois essa é a linguagem da paixão e de suas decepções. O paternalismo, em suma,
semeia violência.


Enfim, se é verdade que muitos prefeririam ser objeto de
cuidados maternos ou paternos a serem "friamente" governados. Pois bem, nesse
caso, a psicanálise ainda tem várias boas décadas de utilidade pública entre
nós.
É uma boa notícia para a psicanálise. Não é uma boa notícia para o
mundo fora dos consultórios

.

Não foi só o PT ter ficado igual a todos a grande decepção. Foi ter ficado pior, querendo silenciar a oposição, a imprensa, se aliar aos párias mais detestados do mundo, governar por decretos e ter entrado num caminho que para retornar ao estado de transparência, divisão e alternância de poderes, terá que rasgar a própria pele. E isso dói. Eles preferem a dor nos outros.

No escrito de Freud, o pai da horda acaba sendo devorado pelos próprios filhos, e pelo que se sabe, apesar de controvérsias, Moisés é morto pelos seus liderados.

Lula pretende voltar em 2014 para mais 8 anos e manter o PT por 20 anos no governo. Terá ele tanta sorte como ele próprio reconhece que teve até agora?
As inúmeras facções internas do PT e PMDB continuarão silenciosas em troco dos polpudos pagamentos feitos para silenciá-los no estilo mensalão sindicalista?

Uma pena. O PT fez as utopias e esperanças desapareceram. Os falsos profetas da moralização do poder público estavam mentindo e colocam a massa para viver de auxílio-eleição.
O simbolismo fica mais concreto e é duro lidar com a realidade sem um pouco de fantasia, que perdemos quando o PT se perdeu.

Genaldo Vargas–

Salvador/Ba,.Setembro de 2010.
fgv@attglobal.net

domingo, 11 de julho de 2010

Épico Sumério sobre o Dilúvio - Versão que aparece na Bíblia 1700 anos depois

Atra-hasis and the Flood

(This tale from Babylonia, dated ca. 1700 BCE, is the longest
and most comprehensive of the Mesopotamian Flood stories.)

Retold and Condensed by James W. Bell

In the beginning, before men were created, the Anunnaki – the gods living on the earth – had to till the land and water it to grow their food. They found the work tiresome and too much trouble.

So they gave Enlil lordship of the earth. He summoned the Igigi, calling down from heaven the lesser gods, lower divinities without names, to do the work.

Besides tilling the soil, Enlil assigned to the Igigi the additional tasks of digging canals, river beds and keeping their channels clear. For thousands of years, the Igigi toiled for the Anunnaki. It was too much! They downed their tools and went as a group to the Ekur, Enlil’s citadel at Nippur, to demand relief.

When the Igigi arrived before Enlil’s stronghold, he ordered his doorkeeper, Nusku, to bar the gate to keep them out. But Nusku asked, “Why has your face become as pale as the tamarisk? Why do you fear your sons? Call the other gods and let them help solve this thing.”

So Enlil summoned the others, including Anu from heaven, and Enki, lord of the Abzu. Together, they stood on the ramparts of the Ekur and addressed the besiegers. “Why do you attack us?”

The Igigi answered as one, “The work you have assigned us is killing; we can no longer bear it. We have put a stop to digging and declared war.”

Then Enki took the gods inside to counsel them. “Why do we blame the Igigi? Their tasks are too hard.

“Look,” he continued, “the goddess Mami is with us. Let her create mortals, creatures to be our servants and to do our work. Then we can put the yoke of Enlil on these beings and let the Igigi return to heaven.”

The gods agreed and asked Mami to produce such creatures. But the Goddess of Midwifery demurred. “It is not prudent for me to attempt all this. Choose Enki instead, because he is wise and makes things right. If he will prepare clay suitable to the task, I will birth it.”

Enki responded, “If we use pure clay to make these new creatures, they will be like the animals, without intelligence. To make them capable of bearing the yoke of Enlil, we must slay one of the gods so his flesh and blood can be mixed with the clay to be made into a man. Then what we create will be god and man mixed together.”

The gods seized Geshtu-e, a god of wisdom, and slaughtered him. When his flesh and blood were taken and mixed with the clay, a ghost came into being so that none should ever forget him, or fail to remember that the new creature called man was part mortal and part divine.

Mami took the mixture and pinched off fourteen pieces, to create seven males and seven females. She presented them to the Anunnaki, saying, “I have done all you asked. You have slain a god of intelligence and mixed his flesh and blood with clay so I could engender men. I relieve you of wearisome work by imposing your yoke upon them. I have also bestowed upon them the ability to use the spoken word, so they may call to one another to help fulfill their tasks. Let each man choose a woman to wive so Ishtar can bless them with healthy children, to fill the earth with generations upon generations of servants.”

It was in this manner and for these reasons that man was created.

Twelve hundred years went by and the people grew numerous. The land became filled with them and their unceasing clamor. Enlil said, “The noise men make has become too much; I am losing sleep. Let Namtar come up from the depths of the Netherworld and distribute disease among them, so that their numbers and uproar may be reduced.”

The Herald of Death strewed sickness back and forth across the countryside and many died. A wise man in Shuruppak, by name of Atra-hasis, called upon Enki. “How long are the gods going to plague us? Will illness and death afflict us forever?”

Enki advised Atra-hasis, “Call together the elders. Speak to them; tell them to not worship their gods or take them offerings. Instead, let them build a house for Namtar in Shuruppak and let each household bake a loaf of fresh bread and take it to his door.”

The people listened and did as Enki advised. Namtar’s house was filled with fresh bread and surrounded with its pleasant aroma. The Herald of Death was shamed by the multitude of offerings. He drew back his hand so that disease abated. The people regained their health and the land returned to prosperity.

Another twelve hundred years passed and the people again became numerous. The Earth grew crowded and filled with a terrific din. Enlil said, “Once more, the noise made by men is causing me to lose sleep. Let’s cut off their food. Let my son, Ninurta, shut the sluice gates of heaven so that drought comes. Let crops fail and the people perish.”

When drought had held the land in its grip for six years and the people had become famished, Atra-hasis again went to Enki for help. “Call together the elders,” the god said. “Tell them not to worship their gods or make offerings to them. Instead, build a house for Ninurta. Then let each household take of what flour they have and bake a loaf of fresh bread to take to his door.”

Again, the people followed Enki’s advice. Ninurta’s house was filled with fresh bread and surrounded by its pleasant aroma. The young god knew bread was scarce and, though he was Enlil’s son, he was greatly shamed by the precious offerings given him by starving men, so he opened the clouds and let the rain fall. But nothing grew, for the land turned bitter and became encrusted with salt.

In the seventh year, when people began to eat their young, Atra-hasis went to Enki again. “We have no more flour to make bread. It rains, but the land no longer grows our crops. Will this scourge never end?”

“Call together the elders. Tell them to not worship their gods, nor make them offerings nor say prayers nor sing them songs of praise. Let the earth be as it was in the beginning; before men existed, when the gods struggled to grow their own food. Let the gods pick up their tools again and go back to tilling the land, without offerings or praise. Let them suffer.”

It was too much for the gods. Faint with hunger, they yearned to hear prayerful supplications and listen to sweet songs of praise. They relented and allowed Enki to cleanse the earth with sweet water drawn from the depths of the Abzu. With his pure water, he washed away the salt and made the land fertile again.

But, in another twelve hundred years, what had happened before occurred again. The people grew more numerous than ever and earth was filled with their shouting and curses. Enlil said, “I cannot sleep because of the bellowing of men, but I cannot bring them under control because of my brother, Enki. He protects them. Because he created them, they are his children. I will see him about this.”

So Enlil went to Enki and said, “You persuaded us to kill a god and used your power to create men. You imposed our yoke upon them but you also had Mami gift them with the spoken word. What you did was wrong, for men use their power to shout and curse and argue with each other. Now, you must swear an oath to correct the wrong you have caused. You must use your power against your creation and create a Flood to rid the earth of men.”

Enki replied, “Why should I swear an oath? And why should I use my power against my people? The Flood you mentioned, how do I have the power to give birth to such a thing? That’s work for you, Enlil, and your son, Ninurta. If you wish a Flood, then tell Ninurta to let it rain till the dams overflow and drown the land.”

Enlil was furious with Enki. “Then, I shall see it done myself; I will see that the Flood covers the earth. But, brother, you and all the Anunnaki, must promise not to try to obstruct what I am about to undertake; you must not warn men of my plan.”

With the other Anunnaki, Enki took an oath that he would not tell Enlil’s plan to any human.

That night, Enki went out and sat beside the reed wall of Atra-hasis’s house. He spoke aloud, saying, “Wall, listen to me! Reed hut, make sure you hear my words! Take this house apart and build a boat. Leave your worldly possessions behind and take aboard living things. Build the boat two stories high and pitch it with bitumen to make it strong and waterproof. For a flood will come that will last seven days and seven nights and the land will be under water.”

Now, as Enki spoke, Atra-hasis was inside his house and overheard everything the god said. The next day he hired carpenters and reed workers to tear down his house and build the boat the god described. The workmen ate and drank as they worked but Atra-hasis kept his distance, for his heart was breaking over those he knew would soon be drowned and he was vomiting bile.

The day arrived when Ninurta
bellowed from the clouds and the face of the weather changed. The winds came and Atra-hasis hurried his family and animals inside the boat. Then he cut the mooring rope and had bitumen handed up to seal the door.

The sky turned dark so no one could see anyone else. The flood roared toward them like a bull and, like a wild ass, the winds screamed overhead. There was no sun and darkness hid the land. Ninurta opened the clouds and water poured over the land. The goddess Mami watched the storm from above and wept for her people. “What father would have given birth to a raging sea?” she asked Enlil. The other gods and goddesses wept with Mami.

After the seventh night, Enlil ordered his son to stop the rain. As the waters receded, corpses were left strewn about like drowned dragonflies.

But, then, a sweet aroma from an offering went up and attracted the gods. They hovered overhead to catch the fragrance and Enlil spotted Atra-hasis and his boat. “How could anyone have survived the catastrophe?” he asked. “No form of life should have escaped. Who, but Enki, would have done this? My brother has broken his oath!”

Enki heard Enlil and answered, “Atra-hasis must have overheard me when worry caused me to talk aloud to myself. I did this in defiance of you, Enlil, to make sure life was preserved. But I never told him; I did not break my oath.”

“Men multiply continually,” Enlil said. “Again and again they crowd the earth and fill it with noise. I seek only to stop them so I’ll have peace. Why do you continue to defy me?”

“Because, brother, if you destroyed men to rid the earth of noise, who would be left to grow our food? It would be as it was in the beginning.”

Enlil perceived the wisdom in Enki’s answer and he was shamed. “Then, what is to be done?” he asked. “If nothing is changed, in another twelve hundred years, there will be too many people again.”

Enki said, “To prevent that from ever happening again, let the gods decree that a third of the women shall be barren and another third shall be unsuccessful in childbirth. In addition, let the women in the temples be made taboo, so they too will not bear children. By decreeing this, the gods will continue to have men for their servants but there will never be too many again, and the gods and men will live together evermore at peace.”

Enlil rejoiced at hearing his brother’s resolution and praised him for his astuteness.


James W. Bell’s
Ancient Sumeria




CHARACTERS AND PLACES

Abzu – (also Apsu) the fresh water in rivers and beneath the ground.
Anu – (An in Sumerian) the chief god in heaven, father of the gods on the
earth.
Anunnaki – (sometimes Anunna) the gods who lived on the Earth.
Atra-hasis – (also Atrahasis, Utnapishtim, Ziusudra) the wise man of
Shuruppak who saved mankind in the Flood.
Ekur – (literally “mountain house”) Enlil’s citadel in Nippur, located on the
upper Euphrates River.
Enki – (Ea in Akkadian) Enlil’s brother; God of the Abzu, the wisest and
craftiest of the major gods on earth.
Enlil – (Ellil in Akkadian) Enki’s brother; God of the Air, the most power-
ful of the major gods on earth.
Geshtu-e – an unknown god, possibly a Sumerian play on words.
Igigi – the lesser gods in heaven without individual names.
Ishtar – (Inanna in Sumerian) Goddess of Love and War, represented by
Venus, the evening / morning star.
Mami – (Ninhursag, Ninmah and Nintu in Sumerian) The Earth Goddess;
Mother Nature.
Namtar – (also Namtara) Herald of Death; son of Ereshkigal, Queen of the
Netherworld.
Netherworld – a dark, dismal place underground where the dead spend
eternity.
Ninurta – (also Adad) Enlil’s son, a young storm god who rode the clouds.
Nippur – an ancient Sumerian city on the upper Euphrates River; a holy
city much like today’s Mecca.
Nusku – Enlil’s vizier and doorkeeper of the Ekur.
Shuruppak – an ancient city on the Euphrates River, midway between Nip-
pur and Ur.
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Anciente Sumeria

Sumeria

CHARACTERS AND PLACES



Abzu – (also Apsu) the fresh water in rivers and beneath the ground.
Anu – (An in Sumerian) the chief god in heaven, father of the gods on the
earth.
Anunnaki – (sometimes Anunna) the gods who lived on the Earth.
Atra-hasis – (also Atrahasis, Utnapishtim, Ziusudra) the wise man of
Shuruppak who saved mankind in the Flood.
Ekur – (literally “mountain house”) Enlil’s citadel in Nippur, located on the
upper Euphrates River.
Enki – (Ea in Akkadian) Enlil’s brother; God of the Abzu, the wisest and
craftiest of the major gods on earth.
Enlil – (Ellil in Akkadian) Enki’s brother; God of the Air, the most power-
ful of the major gods on earth.
Geshtu-e – an unknown god, possibly a Sumerian play on words.
Igigi – the lesser gods in heaven without individual names.
Ishtar – (Inanna in Sumerian) Goddess of Love and War, represented by
Venus, the evening / morning star.
Mami – (Ninhursag, Ninmah and Nintu in Sumerian) The Earth Goddess;
Mother Nature.
Namtar – (also Namtara) Herald of Death; son of Ereshkigal, Queen of the
Netherworld.
Netherworld – a dark, dismal place underground where the dead spend
eternity.
Ninurta – (also Adad) Enlil’s son, a young storm god who rode the clouds.
Nippur – an ancient Sumerian city on the upper Euphrates River; a holy
city much like today’s Mecca.
Nusku – Enlil’s vizier and doorkeeper of the Ekur.
Shuruppak – an ancient city on the Euphrates River, midway between Nip-
pur and Ur.

terça-feira, 22 de junho de 2010

04.1 - O Princípio da Incerteza Temporal - “P.I.T.”.

04.1 - O Princípio da Incerteza Temporal - “P.I.T.”.

No cap. 3, devido à natureza relativa da simultaneidade, vimos que o tempo anda a taxas diferentes em referenciais com movimento relativo. É constatado teórica e experimentalmente que em locais onde temos variação no potencial gravitacional, ou em ambientes sujeitos a uma variação inercial, também se verifica a existência de freqüências temporais diferentes, uma conseqüência da Teoria da Relatividade Geral.

Então, para o mundo microscópico ou subatômico, onde também se verifica o movimento relativo assim como a presença de inércias, devemos aceitar a validade destes fenômenos, que introduzem a coexistência do passado e do futuro num mesmo ambiente ou a “incerteza no tempo presente”.






Considerando a existência de freqüências temporais diferentes, num sistema atômico, devemos admitir que, quando imaginarmos este micro-cosmos num ambiente maior ou macro-cosmos, que podemos adotar como referencia, devemos ter um local do micro-cosmos que se encontre em equilíbrio temporal ou acompanhe a velocidade do fluxo do tempo próprio do macro-cosmos.

Delegamos este local, no átomo, ao núcleo, ou ao seu centro de massa (CM), que até poderia ser um local geometricamente próximo do núcleo, como sendo, este o ponto de referência ao macro-cosmos. Devemos considerar, também, que além deste se encontrar geometricamente no centro é nele que se concentra a maior parte da massa, sempre numa proporção média maior que 2000 para 1. Podemos então dizer, que é através deste ponto central que se estabelece uma ligação temporal, do tempo de referência nuclear ao ambiente exterior ou macro-cosmos.

Afinal temos que ter algum relógio padrão, ou local, como referencial de comparação, tipo um tempo padrão que possa servir de referencia, pelo qual possamos fazer comparações no fluxo ou na velocidade com que o tempo evolui. A escolha de um ambiente no qual não exista grande variação de velocidades entre seus constituintes seria um ponto referencial mais indicado, para o caso de um átomo, podemos adotar outros átomos ou macroestruturas que se encontrem nas imediações ou aquilo que o cerca externamente o macro-cosmos.

Nos átomos mais pesados, este ponto de referência fica bem melhor definido, devido à distribuição mais homogênea dos elétrons na eletrosfera e a concentração maior de massa (? = energia) do núcleo, enquanto que nos átomos mais leves este ponto oscila consideravelmente. Este é um motivo, pelo qual, na experiência da dupla fenda (veremos no cap. 16) com átomos leves, também são observadas as figuras de interferência características de fótons ou elétrons. Este também é o motivo da dificuldade de se realizar esta mesma experiência com átomos muito pesados.

Para fazer uma experiência imaginada desenhamos na figura 04-02 o esquema de um átomo de H, onde este possui dois Sistemas de Observação (S.O.), o A e o B, colocados em lados opostos ou em locais diferentes, é importante que isto seja imaginado em três dimensões. Entende-se por sistema de observação (S.O.), um local ou uma unidade, constituída por um ou uma coletividade grande de átomos, e que, entre eles se estabeleça um referencial, consolidando dessa forma um tempo próprio do local, totalmente independente das oscilações temporais individuais dos átomos e/ou de suas partes, evidentemente, que dentro das condições estabelecidas pelos princípios da relatividade.

Fazendo-se agora uma experiência imaginada, onde se supõe que às partes integrantes deste átomo, num determinado instante quaisquer, emitam um sinal de natureza irrelevante, tipo um flash, que possua velocidade da luz c, pode-se verificar o seguinte:

Para o S.O. A, o sinal do elétron, chega no tempo “te = (l - raio)/c”, enquanto que o sinal do núcleo no tempo “tp = l / c ”, verificamos que “te < tp”, ou seja, constata-se que o elétron, para o S.O. A, esta no futuro, porque o sinal chega antes que o sinal de referência do núcleo, ou seja, aqui o elétron esta no futuro do tempo próprio do local.

Para o S.O. B, o sinal do elétron chega depois, verificando que ele se encontra no passado em relação ao núcleo ou macro tempo.

Verifica-se ainda, que cada S.O. constata uma realidade diferente para este átomo, conclui-se então que o elétron oscila entre o passado e o futuro, como uma senoide (em 2D), conforme ilustra a Fig.04-03., e ainda, que cada S.O. terá uma senoide diferente. É no somatório destas ondas, do todos os SO, que está baseada a matemática da MQ. Somente no colapso é que a MQ pode atribuir à partícula uma determinada onda de um determinado conjunto de possibilidades, antes disso é só incerteza.

Esta oscilação, imaginada em três dimensões, se apresenta como se fosse um helicóide ou espiral, ou, quando for projetada em um gráfico de duas dimensões, como vemos na fig.04-03, ela é representada por uma onda senoidal.








Pode-se observar que este passado recente ou este futuro próximo, observados nos átomos, são tempos muito pequenos, e são diretamente proporcionais ao tamanho do átomo, só por curiosidade, calculamos este tempo:



(04-09)


Experimentalmente, já foi constatado, que, quando se “observa” o escape de um elétron do átomo, verifica-se que ele o faz “obrigatoriamente” pelo núcleo, mesmo sabendo-se que ele não poderia estar ali. Ou seja, temos aqui uma confirmação experimental de que é o núcleo, a ligação do sistema temporal do átomo, com o tempo de referência externo ou tempo próprio do local.
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Hisarevi - Urgup em dia de neve

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Monte Sinai - Egito

Alto do Monte Horeb/Cherub
Gebel Musa (Monte de Moisés) pelos árabes.
Serâbit El Kadim pelos beduínos
Sinai por todos os outros

Filisteus


Imagina entrar em Israel assim.....parado no outro lado.
Arafat

Segurando a pirâmide


Abu Simbel - Ramsés II e Nefertiti


Detalhe: As estátuas das mulheres ficam abaixo dos joelhos do Faraó.
Também, os caras tinhas dezenas delas....corajosos.

O Discóbulo


Do Museu de Londres, emprestado ao
Museu Arqueológico de Istambul

Balões de Urgup - Kapadocia


Até que la em cima não estava tão frio por causa do calor do fogo
que erguia o balão. No dia anteriuor havia nevado.

Kapadokia - Nevsehir

Casas na rocha da Kapadocia, com o monte
Argus ao fundo, o segundo mais alto da região.
O primeiro é o Ararat, onde Noé extinguiu algumas
espécies fazendo churrasco...segundo a Bíblia.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Blue Mosque

A famosa maior mesquita do mundo. Que ja foi igreja, depois mesquita,
igreja de novo, mesquita, igreja, mesquita...de acordo com as invasões
dos muçulmanos, cristãos, Saladin, Cruzados, Romanos, Otomanos, turistas
brasileiros, etc. ao invés de construir outra, eles mudavam o formato.
Deve ser a única mesquita do mundo, com desenhos de Jesus, Maria, São João Batista, etc.
Pacífica convivência (conveniência) religiosa, cultural e econômica...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ruminacoes camelisticas das piramides...

Ruminacoes sobre o Egito e Oriente Medio.
A lingua arabe e falada em varios paises por aqui e desde o Marrocos, Libia, Saudi Arabia, Sudao, Jordania, etc. com pequenas variacoes todos podem se entender.
A religiao predominante eh Islamica. O Egito tem cerca de 30% de cristaos coptas e ortodoxos. Essa conversa duraria dias, porque sao Coptas ou Ortodoxos.
Porque nao tentaram falsificar as escrituras e mantiveram os originais e os textos apocrifos, incluindo Maria Madalena como esposa de Jesus e a Virgem Maria como mae de 4 filhos, como ocorreu na verdade.
A comida tambem eh muito parecida. ateh o MacDonalds que comi a pouco (quem diria!) tem gosto de comida arabe.

Hoje, como estou menos estupido, estou escrevendo no Word para depois passar para o blog, se der.
Ontem fui escrever diretamente no blog minhas impressoes das piramides. Tinha ateh gostado do texto e quando fui postar acabou o tempo e perdi tudo. Deve ter sido o coco de camelo que cheirei. Dizem que Alexandre o Grande e outros, antes de consultarem os oraculos, cheiravam coco de camelo. Deve dar barato, ter visoes, descobrir a formula da coca-cola, etc.!!!

O que tem de peculiar no Egito:

- Chuveirinho dentro da privada. Alguns sao tao fortes que voce tem que se segurar senao o jato separa suas coisas uma da outra. Na Turquia tambem tinha mas voce regulava o jato. As mulheres devem gostar mais. Por isso deve ser que nao ha papel em lugar nenhum.

- Nao ha papel em lugar nenhum. Os guardanapos sao Kleenex. Se voce lavar a mao em qualquer banheiro vai esfregando nas calcas. Nas minhas tenho que voltar pra lavar de novo de tao sujas. Mas tem porta-shampoos com shampoo em todos osm banheiros.

- As toalhas sao maravilhosas. Em qualquer espelunca, as toalhas sao de algodao ¬Egipcio¬, felpudas, grossas, fofinhas e brancas.

- Quando disserem nao pode ou eh proibido, como tirar fotos, levar comida para o quarto, lavar roupa no banheiro......pode! Basta voce nao ligar para o que dizem.
Hoje na Biblioteca de Alexandria, tinha um sinal monstruoso dizendo proibido cameras, etc. e tava todo mundo tirando. Fiquei p. da vida porque nao tirei fotos de originais das Escrituras do Novo Testamento e dos Livros dos Mortos. Tinha mumia piscando de tanto flash.

- Gorgeta. O pais vive de gorgeta. Nao tem salario minimo e mesmo depois de combinar um preco, o cara fica esperando a gorgeta. Tudo funciona nessa base. Ha ateh um excesso de Hasslement ou aporrinhacao de tanto pedido. Ateh policiais tentam te achacar. O cara da lavanderia ligou para ver se eu estava para poder entregar a roupa (2 camisetas e uma cueca, que uso a mesma desde que cheguei) pra poder pegar gorgeta. Impressionante!

- Trafego: Nao vou falar mais. Filmei bastante. Nao existem semaforos nem no Cairo com 20 milhoes de habitantes. A prioridade e carro da policia, carroca, carros particulares por tamanho, os maiores vao empurrando os menores, triciclos, etc. e por fim os pedestres, que correm, param encolhem a barriga, desviam o ombro, o cotovelo, enfim, eh um desafio.
Ontem atravessei a rua em frente ao Hotel pra comprar um sabonete e fiquei com medo de voltar. Quase dormi por la, olhando pro quarto do outro lado da rua.
E tem velhos, criancas..da um frio na barriga so de olhar.
E tome-lhe buzina. Buzinam ateh sem precisar. O motorista que me levou a Alexandria hoje quando freiava, buzinava e ligava o pisca alerta. Nao consegui saber porque ele nao falava ingles. Quem nao acreditar vai ver o filme.

- Comem pepino, tomate e alface com iogurte no cafe da manha.

- Nao vendem bebida alcoolica nos mercados. (miseria)

- Tomam um cha de Carcade que ainda nao descobri o que eh.

- Nao falam palavrao, abencoam (vai ser saber o que tem na bencao...uma praga?) quem aguentaria dirigir sem xingar?

- Nao ligam a minima para os erros de escrita em outras linguas. Na deles nao sei se tem erros, mas eh muito comum ver escrito. Resturant - Ademoinistrator e por ai vai. Inclusive em cartazes, menus, livros de turismo.

- Clima quente e seco de dia e frio a noite. Nao ha labio que aguente. E o nariz fica todo trancado.

- Os camelos sao muito altos, arrotam, tem perna fina e soltam pum.

Alexandria - 31.03.10

O Oriente Quantico, ou a volta do que ja foi...

Tenho escrito algumas coisas para o blog e gravado em voz outras pra mim, que depois de transcrever em paz no meu quartinho em casa, vejo se vale a pena passar a frente para discussao.
Mas uma coisa apenas se confirma nessa viagem:
Ha uma enorme quantidade de informacoes que comecam a ser passadas ao publico que deixam duvidas sobre a origem e se os antigos ja sabiam.

TUDO JA AI ESTA - Dizem os Taoistas.

O que nao pode ser negado eh que as coisas que hoje se descobrem ou falam, como a supercondutividade, o ouro monoatomico de alto spin que faz as coisas levitarem e se transforma em luz, a possibilidade de expansao dos telomeros ( que sao as bordas nos cordoes de DNA, como aquelas coisas nos cadarcos de sapato) que faz com que cada vez que uma celula se divida, ele diminua ateh cessar completamente). Com a expansao pode se replicar novas celulas e parar a deterioracao, o envelhecimento. a psicanalise, a neuro ciencia, energias de ponto zero, multiplas dimensoes, o teletransporte da materia, a ciencia espacial....tudo ja existia desde o tempo dos Faraos. Hathor, Thot e Horus sabiam de muitas coisas. Apenas o que se esta descobrindo agora vem com novos nomes cientificos.

Desde os segredos daqui do antigo Egito, da Grecia, Roma, Sumerios, Acadianos, Babilonicos, as forcas reunidas, principalmente em forma de religiao, trataram de manter as informacoes que dao poder longe da sociedade. Ficaram guardados e devidamente manipulados para uso exclusivo de uns poucos que detinham o poder.
Para isso sempre foi necessario se apagar, manipular, mentir, eliminar, alterar o rumo das coisas para preservar uma visao unica da historia.
Os dois incendios da Biblioteca de Alexandria, onde estive hoje, foi uma forma direta de se eliminar conhecimentos esotericos de todas a areas que poderiam colocar em risco a confianca nas religioes em formacao.

Parece que Moises, que teria sido Akhenaton, o Farao, era muito instruido nos misterios dos antepassados e teria passado adiante parte dos ensinamentos atraves da Arca da Alianca, que seria uma poderosa maquina de fabricacao do MFKST (isso mesmo...mufukust) ou o Mana que ajudou a ele e os foragidos do Egito a passar 40 anos no deserto. A Lagrima de Horus como era chamado o po branco, ou a Essencia Divina dos Sumerios.
A Arca da Alianca que derrubou os muros de Jerico apenas passando em frente durante 6 dias
Como disse , destruiu exercitos e alimentou o povo nao era um milagre, mas alta tecnologia que hoje pode ser provada.
Nao teremos tempo para descobrir tudo, mesmo que cada um de nos se especialize so numa coisa durante a vida inteira, mas nao se trata mais de manter escondido o que qualquer um interessado queira ter acesso.

A igreja, a CIA, os Laboratorios e Universidades, as Organizacoes Secretas, os remanescentes dos Templarios, das Fraternidades, etc. sabem de muitas coisas que foram e sao manipuladas e mantidas fora do conhecimento geral.
Manter o conhecimento limitado a um numero pequeno de 'proprietarios' os fazem detentores do poder, e o que for tentado descobrir ou tornar publico, entram como Teorias de Conspiracoes, Mitos e Lendas, Delirios e por ai vai.
David Icke pode ser exagerado. Mas minha irmazinha Sumeria que esta nos EUA, Ane Bishoff sabe do que estou falando.
Espero que comente dai mesmo....se tirarmos as mascaras das limitacoes tudo se amplia e inclue.
Vivemos em ciclos.

O que foi, eh o que ha de ser;
E o que se fez, isso se tornara a fazer;
Nada ha, pois, novo debaixo do sol.
Eclesiastes 1:9


Cairo - 31.03.10

terça-feira, 30 de março de 2010

Cairo again

Lua cheia no Cairo.

Uma tarde inesquecivel, depois do sacolejo do sleeping train. Dessa vez o cara caprichou.

Deu umas freiadas que quase cai da maca, porque aquilo nao eh cama de tao estreitinha. Deixei as malas encontadas para nao cair de muito alto, no chao.



Ver Memphis, que o profeta profetizou (acho que eles sao pagos pra isso ne?) que iria se acabar. Acabou mesmo, nem ruinas tem mais. Sobraram alguns pedacos de estatua e ele, sempre ele...Ramses II, aque esta em todo lugar.

Depois ver as piramides foi o que valeu a viagem. Acho qeu vim aqui pra issom alem do templo de Hathor, Alexandria e o Sinai.

As piramides emocionam. Imaginar 5000 anos de permanencia, milhares de trabalhadores durante dezenas de anos e a perfeicao da arquitetura que desafia a imaginacao.

Aqui tem um ditado que todos tem medo do tempo e o tempo tem medo das piramides.



Nao podia mas acabei subindo algumas pedras e me transportei para os seculos, milenios passados. Nao tem como passar incolume por uma experiencia dessas onde ha um encontro com muitas coisas.

Vem a mente nao so a simbologia, os misterios, as aproximacoes com as teorias da busca do inicio, mas as lembrancas de infancia, dos livros de historia, das fotos que nem seque imaginava que um dia iria tocar.



Valeu Cheops, Kefren e Mikerinos...lembram?



Entrei na piramide da mae de Cheops. Estreita, ingreme, escura, quente e cheia de alemaes mal edeucados.

Depois, a volta de camelo vestido de Arafat. O condutor queria negociar meu bracelete, queria propina e tirou ateh uma foto comigo segurando a piramide.

O camelo foi simpatico, mas eh muito desconfortavel e alto. Cada desmunhecada na corcova, parecia que ia desabar

segunda-feira, 29 de março de 2010

Casanova e a periferia de Luxor

Acordei de ressaca ontem e fiquei no hotel. Domingo aqui as coisas funcionam e ate tarde da noite. O descanso muculmano eh na sexta. A cidade dorme e acorda tarde. 11 da noite e o comercio esta aceso.
Hossam apareceu la pelas 4 da tarde e resolvemos caminhar. Fomos ao museu de Luxor, estava fechado. Alugamos uma charrete e pedi para visitar a periferia da cidade. O lugar onde turista nao vai.
Passamos pelas avenidas arrumadas e amplas, no mesmo caos de transito de sempre, e aos poucos a Luxor bonita foi ficando pra tras. Ao passarmos pela linha do trem, de cara com o real. Casinhas e apartamentos amontoados, ruas estreitissimas que faziam o Casanova (o cavalo da charrete) se encolher pra passar.
Muita sujeira, estradas de poeira e areia. Sem esgoto ou agua encanada.

Miseria, pobreza, mas nao tem violencia nem perigo. Pelo que me disseram e li, os crimes sao tao raros quanto organizacao e limpeza por aqui.
Voce realmente se sente em outro mundo.

No transito, ja que nao tem semaforos, a prioridade eh da policia, que passa a toda velocidade, depois as charretes que tambem nao freiam. Tive que pedir ao cocheiro pra diminuir um pouco que o Casanova estava soltando gases...quando o cocheiro pediu desculpas e Hossam traduziu eu disse - Fica frio porque pensei que tinha sido o motorista. O cavalo pode...

Depois vem os carros, por ordem de tamanho. Os maiores primeiros, depois os menores, os triciclos, as motos, as bicicletas e por ultimo, se esgueirando entre um carro e uma charrete, fugindo das motos e entre ensudercedoras buzinas, os pedestres.
O transporte publico eh feito por vans que andam de portas abertas.
Impressionante como se ve criancas de escola, 5 ou 6 anos no meio da bagunca.

Buzinar eh parte da direcao. Buzinam sem motivo. Sugeri colocar uma buzina no Casanova tambem. O cara do pum gostou da ideia.

Na volta, fomos ao mercado arabe e comprei uns badulaques, uma pulseira com meu nome hieroglifado e umas coisas sem serventia e que nao sei o que vou fazer....e a sensacao de que sempre paguei mais do que devia.
Qualquer preco tem que comecar da metade do que foi pedido.

Os caras sao muuuuiiiito chatos. Ontem a noite fui comprar um sorvete na rua, os caras nao paravam de me seguir oferecendo ajuda. Fiquei p. da vida. Eh o que chama de hassle ou aporrinhacao mesmo.
Os caras te seguem por minutos na rua oferecendo de tudo. E ninguem liga. Faz parte da cultura.

Acabei comendo um prato de R$ 2 com Hossam. Uma tijela comecando com arroz e umas coisas marrons no meio, depois ficava amarelo, pedacos de tomate, pimenta, macarrao tipo espaghetti, mais arroz, lentilhas e macarrao tipo conchinha no fundo boiando numa agua escura. Tudo com colher. Tenho a impressao de que nao lavam os pratos. Tava bom. Comi tudo e lavei com coca-cola.
Voce fica dois dias com aquela comida passeando por dentro.
Parece que ela sai do estomago. Senti nas costas, no pulmao, depois na perna. Voce tem a impressao de que comeu um porco-espinho com casca de caramujo. A lingua fica vermelha durante 3 dias. Nao adianta escovar. Suja a escova e nao sai.
Mas depois passa. Vira azia e no cafe da manha voce ja esqueceu.
Saudade de um sarapatel com buchada de bode e mininico de carneiro! Coisa saudavel.
Deixa eu procurar o hotel que as pernas ja descansaram.
Voces devem estar comecando a acordar pra pegar uma seman santa pela frente ai na terra das araras e do futebol.
Aqui sao 10.50hrs, 5 a mais que ai....

Ainda nao fechei a ida pra Israel, mas se tudo der conforme o combinado passo a Pascoa em Jerusalem....mordam o cotovelo! Foi meio sem querer, mas deve estar muito cheio por la.
Beijocas
G

Tebas

Acabei de voltar do Museu da Mumificacao e fui tungado tres vezes, Primeiro pela mulher que vendia o ticket. 5o pounds, Dei 200, devolveu 100...nao entendi a conta ela sorriu e fez gestos que pegaria o troco na volta.
Segunda tungada. Nao tinha nada no museu. Umas poucas mumias de gato, carneiro, passarinho e um so humano. Vi mais coisas no Museus Arqueologico de Istambul.
Na saida, pois durou menos de 20 minutos a visita, perguntei meio sem interesse se podia tirar fotos. O porteiro perguntou de onde eu era. Quando falei, ele todo feliz...yesss Maradona, buenos dias.
Perguntou bem baixinho - quantas fotos? Falei - uma ou duas e ele OK, rapido!!
Tirei 12 e na saida ao agradecer em bom arabe - Choucron, ele mais baixinho ainda - Me da qualquer coisa ai.....quase que falei em espanhol - Puerra meu, erra tudo, deixa tirar foto e ainda cobra, que puerra caramba cucaracha la bombonera!!!
Virei de costas que nem mulher desconfiada e tirei 10 paus da pochete (ela ainda existe), mais ou menos R$ 4, entreguei em nem olhei na cara do traira.
Fui receber o troco no guiche e a cara de pau da muculmana encardida, me devolveu so 40. Pedi o resto ela deu um sorriso corrupto, ladrao, com a cara mais lavada do mundo e fez com a mao - vai se embora...fiz um O pra ela com o dedo, aquela larapia...
E como me perdi mesmo, nao sei onde estou, e a diaria do hotel vence daqui a pouco resolvi parar nesta lan house e relaxar as pernas.
Meu guia sumiu. Foi pra gandaia ontem a noite.
Faco um late checkout (pagando mais meia diaria - outra tungada) ate a hora do sacolejante trem pro Cairo.
Ate mais.
G
Nao queria falar mas to com saudades

sábado, 27 de março de 2010

Luxor & Karnak

Pena que nao da pra mostra a bagunca que esta aqui atras. Todos falam ao mesmo tempo e a comida que acabei de comer ao estilo Egipcio antigo faraonico....com as maos... uma mao, direita, pegando a comida com a mao, enfiando na boca e limpando com a mesma, porque a esquerda eh considerada " impura".
Foi num mercado, mistura de Feira de S.Joaquim com Mercado Modelo, e como me recomendaram nao comer na da cru, deixei de lado as verduras, contra a vontade e insistencia do meu amigo Hossam Ali Abbud Mohamad Allah Inshallah da Silva Santos.

O templo de Luxor, que foi desenterrado no seculo passado, apos dormir sob milenares areias enviadas pelo Nilo, e como todos por aqui, comecou a ser construido por um Farao e terminou alguns casos seculos depois por outros.
Quase tudo eh referencia hedonista ao proprio Ramses II, o Grande. Ele devia acordar todos os dias e se beijar, repetindo varias vezes...Eu me amo, eu me amo, eu me amo.

O cara era tao narcisista que mandou erigir todos os monumentos nao reverenciando os deuses, como todos antes e depois dele fizeram,dentre os mais cotados Ra-Amon, Horus, Hathor, Isis, Osiris e Thot, mas Ele proprio, mandou se incluir na panteao e aparece ao lado ou de mao dada com os mesmos, e no mesmo tamanho, o que seria um sacrilegio, nao fosse ele megalo.
Na avenida das esfinges que leva Luxor a Karnak, de 3 km. ele so mandou tirar a cabeca de carneiro das esfinges e colocar a dele proprio, o modesto.
Ate a batalha de Kedesh, que todos, inclusive os turcos descendentes dos Hititas da biblia, disseram que nao houve vencedores, ele mandou construir varios monumentos em sua propria homenagem como tendo vencido a batalha.
Diz ter feito o primeiro pacto de nao agressao justamente contra os inimigos que o assustavam, os Hititas da Lidia/ Asia Menor, atual Turquia Ocidental.

Ele era Lula da epoca.

Que pena que acabou o barco no Nilo. Tava bom e ssossegado la.
A bagunca de Luxor, antiga Tebas (vejam a profecia de Jeremias e os sonhos de Ezequiel com relacao a Tebas e Memphis) deu certo. Eles continuam confusos ateh hoje. Como nao existem semaforos, o negocio eh no buzinaco...eh um tal de pi pi fom fom interminavel.

No meio dos templos volta e meia se ouve o portugues e quando posso ajudo, como no caso das brasileiras tentando comprar algo que custava 75 pounds Egipcios. Aviei-as que comecem oferecendo a metade de tudo, para entao negociar. Encontrei-as mais tarde entre os hieroglifos, dizeno que pagaram 30 pounds quando falaram que iriam desistir.
Assim eh o Egito.
Nao va de primeira. Nao confie no que dizem e negocie ateh a infromacao que te derem.
Falando nisso um policial tentou me mostrar uma bencao e estatuas romanas no templo de LUxor e agradeci, o mesmo pediu a gorgeta, o que me deixou constrangido porque estavamos so ele e eu no fim do fim de um quarto escuro, o cara com uma metralhadora e eu negando grana...fui salvo por outro policial que chegou e outro turista perdido.
O policial de despediu alegremente, dizendo thanks, etc. o que o deixou mais suspeito ainda...quequeeisso!!! um policial egipcio (acho que eh do exercito...aqui eles vistoriam tudo, ate na entrada do hotel e deixam passar tudo) querendo me tungar em frente a monumentos romanos, numa sala dedicada a Hatshepsut no fundo do Templo de Ramses II em Luxor????
Perai meu, fui criado no Brasil.

Pega os japoneses, alemaes ou um bando de branquelos, cobertos dos pes a cabeca, (porque a temperatura pode chegar aos 50 graus no verao e o sol eh implacavel) e falando uma lingua desconhecida..Jupiter? que passaram por mim. Eles nem teriam como pedir socorro...
Fico por aqui ate segunda e como tem net posso voltar com mais noticias....a comida que comi a pouco esta se manifestando e vou subir e ver se consertaram o cadeado da porta que caiu na minha mao quando cheguei....
Luxor/Tebas/Egito....sabado 14:53hrs (dia de baba na Bahia)

terça-feira, 23 de março de 2010

Egito

As contradicoes da vida.
Na Turquia, organizada, civilizada, respeitosa, limpa, nao consegui abrir o blog e quando o fazia, aparecia em Turco..e ja tinha ate uns comentarios, que ficarao sem resposta. Nao pretendo aprender turco.
No Egito eh tudo diferente, a comecar pela chegada. O cara da alfandega que estava tao rigoroso com todos e por isso atrasando a fila, me mandou passar direto, liberando logo o passaporte.
Na Turquia me disseram que tiha cara de turco e aqui de egipcio (pra vender eh claro!).

Pois aqui o blog abriu. Em Aswan, cidade do sul do Egito onde fica o Templo de Philae, dedicado a Hathor (que pode ser a nossa querida sumeria Ishtar ou Innana, que os gregos chamavam de Artemis e os Romanos Venus e os Hebreus Astarte e por ai vai...) e Horus, o filho de Osiris e Isis, que tentou vingar a morte do pai pelo irmao Seth e acabou decapitando a mae.
Finalmente naquela epoca havia Thot (Hermes Trimegisto?) para consertar tudo.
Osiris foi ser rei na Vida depois da Morte. Horus, o Deus dos ceus ficou com o alto Egito e Seth, o invejoso e fratricida, com o baixo Egito e Isis ficou viuva mesmo. Deixa voltar pra terra.....

Claro que nao tinha ninguem esperando no aeroporto e foi a maior confusao ate chegar o motorista..Inshallah.

Algum ja viu o transito mais caotico no Brasil? Imagine o triplo no Cairo. Simplesmente nao existem semaforos...eh tudo na base da buzina e o carro maio tem prioridade.
Brigas de transito sao comuns mas parece que ninguem liga.
Cairo deveria se chamar Caos-ro...pessoas andando no meio da rua, muita sujeira, barulho, bagunca, abafado...e dai voce ve ao longe as piramides.
O coracao dispara, a respiracao diminui.

O predio do agente de turismo fica no meio de uma rua sem calcamento, o elevador nao funcionava e subimos de escada mesmo...com mala e tudo.

O trem saia para Aswan, e saiu, as 20:00hrs. Primeira classe. Sleeping train. Com Jantar e cafe da manha e Club Bar a bordo. Quer coisa melhor?
Soh que era um ~toco duro~ sacolejante, que ia parando pelo caminho, sem banho, sem papel (me avisaram pra levar o proprio) o Club bar era um lugar escuro, abafado e sem bebida alcoolica e pensei em me atirar da janela algumas vezes.
Quando dormi naquela caminha de bebe, tive pesadelos.
Sonhei sendo atacado por beduinos e camelos beicudos, orelhudos, tiros, pontapes....deppois analiso isso.

Chegue moido em Aswan.
Imaginava um trem de alta velocidade, confortavel, com boa comida, etc.
O jantar foi um pedaco de galinha (acho, porque tinha asa, encolhida, mas tinha) com arroz marrom amarelado, pao e um yogurte aguado que preferi nao arriscar. O garcom/maquinista/carregador de malas/porteiro/recepcionista sem um dente embaixo perguntou se eu queria cafe...claro, tudo o que vier a mais.
Na hora de retirar a bandeija: 4 pounds egipcios.
Cafe da manha: uma xicarazinha de cafe com pao e manteiga.
Foi um golpe. Mas so consegui me acalmar quando vi o bando de japoneses idosos que lotavam o trem e deviam ter esperado mesmo que .
Acho que vi um saindo em cadeira de rodas.

Aswan, com seu templo de Philae, o deus da luz...fa falei la emcima. Andamos pelo Nilo e visitemos o Jardim Botanico, doado pelo Rei Said a um desses almirantes ingleses delicados que andaram fazendo guerras por aqui.
O Frutinha transformou tudo em flores e arvores, etc. pra quem mora no BRasil que ainda tem plantas, meio sem graca.
O Hotel fica no meio do nada na beira do Nilo. Aconselharam em nao sair a rua...nem pelado.

O almoco ...prefiro nao contar.
Vou subir pra banho (desde a Turquia que nao vejo um chuveiro, func func!!!) recarregar as baterias (aqui o plug eh redondo, diferente dos nossos quadrados..vao ter que padronizar essa joca no mundo) e produrar nao dormir cedo, apesar do cansaco porque amanha saimos as 3 da manha para Abu Simbel e na volta embarcamos no Carnival para subir o Nilo, por Efuh, outras cidades ateh Luxor.
To pensando no trem de volta. acho que vou de Camelo.

Ja cancelei a Jordania.
Talvez ainda va a Israel, mas to com saudade das nossas baguncas. Pelo menos ja estava acostumado...
Vou contando.

Genaldo

quinta-feira, 11 de março de 2010

Presente de Natal

Época de Natal. Pela primeira vez que me lembro ia passar só. Sem namorada, sem os filhos por perto, sem querer viajar. Pra ajudar Papai Noel, sempre me dou um presente comprado no fim de ano, assim ele fica com mais tempo para suas outras entregas.

Fui à uma loja no Shopping, que agora também gosto de Shopping, e comprei uma câmera digital de boa marca. Lembrei que todo mundo tem uma e a última que tive parecia uma caixa de abelhas. Só faltava sair a fumacinha quando batia fazendo um barulho forte de engrenagens. Não lembro a marca nem o fim da mesma.

Achei um pouco cara, mas sei que mereço. Me dou poucos presentes, posso escolher com qualidade.
Liguei logo pra minha filha contando e ela prontamente me fez ver que tinha pago quase o dobro do que encontraria na internet, com as mesmas características.
Poxa, mas eu já tinha recebido as primeiras instruções e fiquei feliz em saber que até eu era capaz de operá-la, com cabos USB, 6.0 Mega Pixels, 3x Optical Zoom, 2,4” LCD monitor, 25mb memória, o bicho! Essa era a máquina. Lá fui eu feliz para São Miguel dos Milagres, Alagoas.

Já no avião não resisti. Após a permissão para uso de eletrônicos, saquei da mochila a maravilha e clique pra lá, clique pra cá, as nuvens, as turbinas, a cabine, os/as atendentes.
Percebi que não ficavam nítidas, atribuí à minha inexperiência e à falta de regulagem para a iluminação, apesar de estar no “automático”. Ela que se regule.
Lá naquele paraíso, tirei fotos da grama, da areia, do céu, do mar, da pousada, do arroz de polvo, das flores, dos cachorros, dos pés na rede, do CD e do pacote de biscoitos.
Continuavam embaçadas.

Na volta, usei o cabo e projetei na TV, depois no computador. Embaçadas, sem foco.
Liguei para a loja e marquei uma visita com o técnico, o mesmo que me havia apresentado aos controles daquela supermáquina.

Conclusão: Estava mesmo com defeito, o que de certa forma me aliviou, porque imaginei que poderia ter estragado as fotos da minha primeira experiência como orgulhoso proprietário de uma das mais modernas câmeras do mercado.
Após algumas negociações devolveram o valor pago, mesmo tendo a faxineira jogado fora a caixa da câmera, que eu tinha deixado em cima da geladeira por precaução.
Me ameaçaram, mas já nada podia ser feito.

Minha filha gostou da devolução, porque agora eu poderia comprar uma igual bem mais barata.
Lá fui eu cadastrar no tal site e buscar câmeras com cabos USB, 6.0 Mega Pixels, 3x Optical Zoom, 2,4” LCD monitor, 25mb memória, e o escambau.

Confesso que ainda tenho uma pontinha, tipo 12%, de dúvida quanto às garantias e confiabilidade do comércio eletrônico, mas gosto de riscos e não posso perder o bonde da história das trocas que pode ter começado com a serpente oferecendo uma maçã que acabou por expulsar Adão e Eva do Paraíso, por terem acesso ao fruto da árvore do conhecimento.
Só não sei o que a serpente ganhou. Ela queria ficar só no Jardim do Éden? Desconfio que ela foi mandada fazer isso. E porque plantar bem ali, na frente do casal curioso e querendo aprender e saber tudo, afinal já tinham nascido adultos, não tinham pai nem mãe pra ensinar e muito a descobrir, uma árvore com fruto que não era pra comer? Sei não.

Mudei a marca da câmera por precaução, para não comprar a mesma que tinha devolvido e fiz algumas pesquisas. Finalmente encontrei uma com tudo aquilo,USB..etc. e fiz o registro, peguei o telefone para informações sobre prazos, etc.
No mesmo dia, descobri outra empresa (essas empresas parecem ser de uma pessoa só, porque eles respondem e-mail, atendem o telefone, dão sua conta pessoal para depósito, embalam, despacham e voltam correndo) que tinha o mesmo modelo com valor menor.
Telefonei, negociamos um carregador de baterias, capa e outros acessórios, peguei os dados e fiz o depósito, enviando os dados e comprovante para a empresa/pessoa.

Recebi a câmera dias depois e estou feliz com ela. Já tirei fotos do futebol, os babas de fim de ano, onde se pode medir o nível etílico dos jogadores pelo passar das horas marcada nas fotos, dos almoços que fui, idem, da varanda de casa, do vasinho de boldo, de mim mesmo no espelho, dos quadros da parede e muitas do céu, amanhecendo, anoitecendo.

Aqui encerraria a narrativa de como estou feliz com minha máquina fotográfica, mas um pequeno fato depois disso foi o que me levou a escrever estas linhas.

Semana e meia depois de já estar meio enjoado da máquina, recebi um e-mail do site onde me cadastrei dizendo o seguinte:



Olá Ge274
Infelizmente fomos obrigados a inabilitar o seu cadastro , já que mesmo com os avisos enviados anteriormente, em diversas oportunidades, você voltou a descumprir com esta regra:

Más qualificações recebidas.
Conforme conta nos Termos e Condições que foram aceitos ao se cadastrar: "O XXXXXXXX.com tem o direito de excluir os Usuários que recebam comentários negativos provenientes de fontes distintas".

Todos os produtos cadastrados com ofertas ativas foram cancelados automaticamente.

Nosso objetivo é manter a comunidade segura, onde os usuários possam negociar com confiança. Esperamos que compreenda esta medida e lamentamos pelos inconvenientes causados.

Qualquer dúvida acesse a página de Ajuda > Políticas > Inabilitação > Suspensão de Cadastro > Motivos.
Não responda a este e-mail. Se quiser entre em contato com Ajuda >...

Atenciosamente,

XXXXXXXXXXXX
Onde você compra e vende de tudo


E eu, que sempre pago tudo em dia, que sou um cara justo, correto, pontual, honesto, asseado, tolerante, um poço só de virtudes, não admito, isso é irritante. Onde vai parar minha reputação? O que os outros vão dizer? E se meus filhos souberem? O pessoal do baba? As futuras namoradas? Os alunos? O porteiro, que parece já estar olhando meio de lado pra mim. Será que ele já sabe?

Respira fundo e analisa. Tive duas avaliações negativas. Como só fiz cadastro em dois fornecedores e comprei em um deles, isso quer dizer que até o que vendeu me avaliou negativamente!!!! Safado.
Qual a reação das suprarenais, da cortisona liberada pela glândula pineal, que vai para os rins, baço e fígado?

Entra agooora no site, esculhamba primeiro com eles, depois com os fornecedores. Pega o telefone, diga tudo o que ele merece ouvir. Fale do seu passado ilibado (só as coisas boas) crédito imaculado (porque não compro a prazo) e da consideração (de quem depende de mim).
Devia desacreditar o site publicamente, esculachando o método de avaliação deles, que não é investigado e o dano moral que está me inflingindo. Estamos de volta ao tempo da Inquisição, do Gulag, do Paredon, onde uma simples denúncia é aceita como verdadeira.

Não ouviram minha opinião. Não pude me defender. Até os criminosos mais cruéis tem direito à defesa.
Nunca mais entro nem recomendo este site. Por mim eles acabam. Existem dezenas de outros sites querendo vender para gente honesta como eu. Vão se ferrar!

Aí eu pensei: Quando vou aproximar a prática do discurso que faço? Ser mais simples? Andar mais leve e não me aborrecer?
Entrei no mesmo site e me cadastrei novamente. Fui aceito, com outro apelido e outra senha. Mudei só um número. Espero que eles não leiam isto.

Genaldo Vargas
Janeiro/07

Comida de Domingo

Comida de Domingo

Como maneira de agradar para ser agradada, minha avó sempre caprichava nos almoços de Domingo, com variedades e guloseimas que não se via nos outros dias da semana, que eram bem previsíveis. Arroz e feijão, uma “mistura” como era chamada, que poderia ser carne, lingüiça, ovo, alguma verdura, geralmente couve ou repolho.
Não sei como ainda gosto disso tudo hoje, de tanto que comi todos os dias.
Mas nos domingos, o movimento começava cedo, por volta das 10 horas e ao meio dia estava tudo pronto. Uma maravilha!
Só que o almoço especial não era para nós.
Era para ser levado à igreja onde meu Tio Antídio era bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira – ICAB, como era escrita na cruz branca em frente à mesma.
A história do Tio Antídio e da igreja conto outra hora, que é longa e tem desdobramentos.

Pois aos domingos, o almoço era de lombo ou outro assado, rocamboles, ensopados, fritas, arroz especial, as vezes polenta com queijo, as vezes massas, bolinhos de arroz e pudim de leite ou sagu com creme. Uma festa para os olhos e para a boca.
Meus preferidos eram os bolinhos de arroz, vocês vão saber porque.
Eu era quem fazia o serviço de “delivery”. Na época não havia isso de entregar comida em casa. Acho que foi minha vó quem inventou.

Acho que ela também não queria que ninguém viesse buscar porque senão criaria o compromisso de ter que fazer o almoço, todos os domingos, porque algumas vezes ela decidia deixar o Bispo de castigo. Dependia da disposição e da carência da semana.

As comidas eram colocadas em pratos, tigelas, cumbucas, etc. posicionadas sobre uma grande bandeja, coberta com panos imaculadamente brancos, que nem sempre chegavam brancos no destino, mas como eram recebidos antes pela Estácia (Estânia Wrublensky) uma polonesa que trabalhava na minúscula cozinha da igreja, sozinha, só cabia ela, com um fogão à lenha, há muitos anos.

A cozinha tinha quase nada, paredes escuras pela fumaça, sem janelas e na saída, se dava de cara com a privada (não sei porque chamava-se ou chama-se “patente” naquela região – algo a ver com a “produção intelectual” que cada um despejava por ali?).

Ela usava, desconfio, o mesmo lenço na cabeça e o mesmo avental desde que chagara por aquelas bandas e limpeza não era muito de sua preocupação.
Tanto que a única coisa que voltava de imediato eram os panos brancos, para que ela não tivesse que lavar para devolver como mandava a etiqueta de agradecimento.

As louças eram devolvidas mais tarde e mesmo assim, minha vó, que tinha senso de limpeza para ela, nós todos e Estácia, lavava tudo de novo.
Obsessiva compulsiva ela.

Então eu me preparava num misto de sacrifício e prazer, porque a bandeja era grande e depois de alguns metros começava a ficar mais pesada. Caminhava uns 50 metros até a esquina da Volkswagen, dobrava à direita mais uns 50 metros, atravessava a avenida e chegava na igreja, entrando pela lateral até onde ficava a cozinha perto da patente.

O prazer havia me sido passado pelo irmão mais velho que fazia a entrega antes e tinha dado algumas dicas de como aliviar a carga durante o trajeto.
Na verdade ele vendeu as dicas, assim como algum tempo depois, vendeu a cópia da chave de casa, que ele tinha escondido embaixo das pilhas de lenha e que fiz bom uso até ter sido descoberto pela prima Vera. Negociante esse meu irmão.

Assim foi durante alguns meses. Ao dobrar a esquina da Volkswagen, após uma boa e rápida analisada dos horizontes, agachava-me com as costas (é por isso que se diz encostando?) na parede branca da concessionária, descansava a bandeja sobre os joelhos e pernas magrinhos, descobria com muito cuidado as comidas, sempre analisando logisticamente os arredores, vento, chuva, etc. e iniciava a transferência da carga dos recipientes para o meu ansioso e esfomeado estômago.

Aqui cabe uma observação: Faltava planejamento à minha avó. Eu nunca entendi e agradecia por ela nunca ter me feito almoçar antes de levar o almoço, que eu acabava dividindo com o bispo, agachado na esquina.
Se estivesse de barriga cheia, seria outra coisa.

Desconfio até que o bispo tinha outra sócia, porque numa dessas visitas semanais à nossa casa, ele teria agradecido novamente o almoço, mas sutilmente comentado sobre a pequena quantidade de alguma iguaria, ao que minha vó teria comentado ter enviado quantidade suficiente. E não tinha sido eu. Pelo menos, não só eu.

Acho que a Estácia, continuava o meu trabalho e à mesa do bispo chegava menos da metade, porque juro, eu apreciava cerca de 25% e de algumas coisas apenas.

Os bolinhos de arroz em especial, porque digamos, se tivessem 10, eu comendo 3 (25% daria conta quebrada, dois e meio e bolinho quebrado não podia) ficariam 7. Mas se a Estácia entrasse na divisão e comesse outros 3, ficariam apenas 4.

Preferia os bolinhos de arroz porque era comida que dava pra pegar com a mão, secos e não deixavam pistas, como se tivesse que cortar o pudim ou o rocambole.

Como as vezes, quando eles estavam mais crocantes e torradinhos eu comia 4, a se manter o raciocínio, sobrariam apenas 3 para o bispo. Como ele almoçava acompanhado por padre, diáconos, não dava um pra cada.

Resultado: Numa época de muita insegurança e segunda revolta, minha vó que não planejava, mas era muito inteligente, alegando que a Estácia estava “desviando” comida do Tio, coisa que me deixou estarrecido e revoltado pela primeira vez, ela iria escrever as quantidades num bilhete, que era para ser entregue pessoalmente ao bispo.
Quer dizer, numa decisão, sem me acusar, conseguia fazer a carga chegar intocada até o destino.
Imagino que tenham dito a mesma coisa para a Estácia em relação a mim. Os espertos!

Pois a história terminaria aqui se não tivesse ocorrido um incidente logo no primeiro dia de delivery com menu acompanhando. Os LigLigs da vida devem ter copiado de minha avó.

Como a criatividade é a mãe da necessidade, dizem até que no dia seguinte que inventaram o cinto de castidade, alguém inventou o abridor de latas, e inconformado com as injustiça do bilhete dedo duro, aguardei minha vó acabar de escrever e passei a mão no mesmo toco de lápis e enfiei no bolso. Não deu tempo de pegar borracha.

Na virada da Volks, acocoro quase sentado. Bandeja nas pernas, abro o bilhete e vejo:
-13 bolinhos ...... número do azar? o resto não interessava. Num contorcionismo perigoso para o equilíbrio da bandeja, saquei do lápis no bolso traseiro, fiz um zero do 1 e onde tinha o 3, emendei as pontas e ficou 8. Minha vó tinha uma letra de auto didata e meio difícil de entender. Contava com essa dificuldade, mas 08? Tava bom, saldo de 4.
Pus um inteiro na boca, enquanto erguia a perna para colocar o lápis de volta no bolso, quando nesse instante um amigo, o Júlio, dobra a esquina, quase tropeça em mim e a bandeja desequilibrou.

Boca cheia, um susto de parar soluço, querendo dizer um palavrão, uma mão no bolso de trás, uma perna meio erguida.

E já viu coisa pesada cheia de coisas que deslizam,desequilibrar? Você tenta puxar tudo de volta e elas vem. Só que com mais velocidade e passam do ponto, direto para o chão e para a roupa.

O lombinho foi parar perto de uma pedra no meio de um tufo de capim e um formigueiro dessas formigas rápidas e pequeninhas. O rocambole primeiro partiu no meio feito um Titanic de ovo e depois abriu. O ensopado emborcou por cima do pano imaculado e do bilhete, mas ficou com alguma coisa dentro ainda. Os bolinhos, por serem bolinhas, rolaram na terra e se espalharam. A tijela do arroz caiu direitinho, de boca pra baixo.
Júlio me ajudou na operação salva-lombo-dupla. O da comida e o meu.

Sopramos, batemos na parede para tirar a terra, esfregamos na camisa. O mais difícil foi separar o arroz da terra. O rocambole se recompôs em dois depois de reenrolado, meio emendado e o lombinho assado, impecável, nem parecia ter saído do prato, depois que catamos os capins e as formigas dele.
Nunca soube do resultado do almoço, até porque no meio daquela confusão acabei deixando o bilhete falsificado, molhado e meio rasgado no chão.
Não ficava bem para o bispo questionar minha vó sobre o bilhete, esperava eu, com o coração na mão até o próximo domingo.
Sobre os bilhetes que acompanharam minha vida, como no caso das cartas anônimas, fica para outra ocasião.

Só vim descobrir em que armação tinham me jogado, depois de adulto, muito adulto, onde fazendo análise para descobrir a origem das minhas culpas, minha analista conseguiu me esclarecer os fatos. A igreja e avó juntos são fórmula infalível para lhe incutir medo e culpa! Se conseguem acabar com o comunismo, imaginem com a nossa auto estima.

Gosto de bolinhos de arroz até hoje.
Out/2008

Outra língua

Primeira vez que não falei Português.

Era assim desde o começo. Queria fazer os outros para de fumar. Hoje já não ligo. Cada um faça o que quiser.
Também, o cara estava internado num asilo, ou como chamava aquilo em frente de casa, um sanatório?
Era um lugar onde, naquela mais fria cidade do Brasil, Lages, Santa Catarina, os doentes de tuberculose iam se tratar.
Lá é frio no verão. No inverno só pra urso e cachorro peludo.

Não sei porque, desde pequenininho, já achava que os ventos podiam trazer os vírus do pessoal que tossia do outro lado da rua.
Em anexo o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Quando passava do lado de trás, onde ficavam os quartos, evitava respirar de boca aberta.
Neurotiquinho desde pequeninho.

E um dia, o inusitado. Saindo de casa, que ficava em cima de uma fábrica de bebidas do meu tio que teria sido do meu pai (será que foi aí que tudo começou? O gosto pelo vinho, cujo cheiro penetrava as narinas, como aqueles fios zigzagueando nos desenhos animados?) um desses internos do Sanatório, me chama do alto muro do outro lado e pede para ir até onde o muro diminuía.
Não entendi, mas com a curiosidade dos 8 ou 10 anos, fui, sempre guardando a distância para que os vírus/bactérias não me pegassem.

E o cara me estendeu um nota e pediu para ir comprar cigarros na venda da esquina. Isso mesmo, cigarros para o tuberculoso. Deu até a marca. Sem filtro.

De onde veio não sei, como a maioria das coisas que acontecem quando me aperto para resolver. Comecei a enrolar a língua e falar uma coisa esquisita, que eu pretendia fosse uma língua estrangeira.

O cara sentiu que a comunicação estava difícil, viu que eu não sabia português e começou a falar ...cigarretes....cigarrous.... e eu enrolando. Juro que não lembro o que falava, pois ainda não tinha aprendido Esperanto, que anos depois, lá pelos 13 ou 14, deitei e rolei em cima dos incautos, principalmente minha tia, em troca de biscoitos, mas aí fica pra outra. Eu falava Esperanto, estava estudando, mas a tradução eu fazia como queria.

O cara acabou desistindo. Eu me afastei me despedindo no dialeto recém inventado e sem querer, nem saber, acabei contribuindo para a saúde do desconhecido doente que queria fumar. Síndrome da abstinência?

Foi a primeira vez que falei uma língua que não o português. Só que também foi a primeira que nunca soube o que era.
Depois continuei sem saber....

Out/99

Cicatrizes

DE QUE EU ERA PRA QUEM EU SOU
Desde ... até hoje.....long way

Não tem mais muita gente apontando dedo pra mim, mas tem muita gente esperando eu decidir o que todos já sabem que pode não dar certo.
Nem ninguém pra que eu aponte o dedo. Porque não é correto, você precisa de todos para ser quem quer ser.

E, eu com eu, que pode ser o maior dos tormentos. Ninguém pra jogar a culpa.
Vida dura essa de ficar só.
A sensação de ser produtivo, até quando , raramente não tem nada pra fazer.

Passei a vida toda tentando chegar onde cheguei. Nada pra fazer. Vazio. Vácuo.
E não virei divino, nem anjo. Nem os anjos que chegaram à casa de Ló, sabiam o que faziam, cegaram os curiosos e ao se afastarem , destruíram Sodoma e Gomorra numa bomba nuclear, segundo a bíblia.

Onde achar conforto? Nos braços da imaginação, do vinho (Tempranillo), do estudo/pesquisa ou das artes? Quem te liberta?
Tudo foi feito para acabar. Estamos aqui, mas não somos daqui, estamos de passagem.

Só queria que se soubessem que não tenho a mínima idéia de quem sou.
E a idéia da finitude nem me incomoda mais. A angústia (angst) é assimilável.

Quando não sabia nada, achava que sabia tudo.
Não acho que vocês vão entender. E nem devem explicar.
Vou e volto, volta e meia…mas agora, querer saber quem sou já é demais.

I just want you to know who I am….today

Quem somos?

DE QUE EU ERA PRA QUEM EU SOU
Desde ... até hoje.....long way

Não tem mais muita gente apontando dedo pra mim, mas tem muita gente esperando eu decidir o que todos já sabem que pode não dar certo.
Nem ninguém pra que eu aponte o dedo. Porque não é correto, você precisa de todos para ser quem quer ser.

E, eu com eu, que pode ser o maior dos tormentos. Ninguém pra jogar a culpa.
Vida dura essa de ficar só.
A sensação de ser produtivo, até quando , raramente não tem nada pra fazer.

Passei a vida toda tentando chegar onde cheguei. Nada pra fazer. Vazio. Vácuo.
E não virei divino, nem anjo. Nem os anjos que chegaram à casa de Ló, sabiam o que faziam, cegaram os curiosos e ao se afastarem , destruíram Sodoma e Gomorra numa bomba nuclear, segundo a bíblia.

Onde achar conforto? Nos braços da imaginação, do vinho (Tempranillo), do estudo/pesquisa ou das artes? Quem te liberta?
Tudo foi feito para acabar. Estamos aqui, mas não somos daqui, estamos de passagem.

Só queria que se soubessem que não tenho a mínima idéia de quem sou.
E a idéia da finitude nem me incomoda mais. A angústia (angst) é assimilável.

Quando não sabia nada, achava que sabia tudo.
Não acho que vocês vão entender. E nem devem explicar.
Vou e volto, volta e meia…mas agora, querer saber quem sou já é demais.

I just want you to know who I am….today